Alvorada
Os primeiros raios de Sol descobriram o negro do chão. Não presenciava uma alvorada há treze anos. Esquecera como era observar a mudança do céu. Esquecera como era estar em paz. Em outra época, a aurora me presenteava com a suntuosa paisagem do santuário grego. Agora, olhando em volta, não encontrava nada além de ruínas e sangue.
Meu corpo estremeceu. Estava morrendo. Segundo Hades, ele seria destruído ao amanhecer. O corpo de um morto. Era hora de retornar ao meu mundo. De novamente ser confinado no rio Cocyto, o inferno dos que conspiravam contra os deuses. O inferno dos cavaleiros de Athena.
Só mais um pouco, pensei. Meu coração estava onde queria estar. Mesmo em ruínas, aquele ainda era o Santuário de Athena. Meu corpo se desfazia. Não havia dor. Dohko não ousou olhar para trás. Mas ambos sabíamos que a hora chegara.
Amigo, por que se despede? Se logo estará ao meu lado no rio infernal! Se esta é também sua última alvorada! Isso mesmo. Para alguns é o começo. Para nós, a morte.
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